sábado, 7 de fevereiro de 2009

Descanso...


E sinto anseio de jogar-me no abismo
E talvez ceder à dor que me atravessa
Esperando assim ser o mais depressa
Antes que floresça em mim, lirismo...

E já cansei-me de todas essas graças
Explicações que nem sei origem tal
Mas passam soltas como em recital
A que meus sonhos, só despedaças.

Fechar os olhos como em cerimônia
Despedida precoce mas talvez certa
Deixando vaga para dor que aperta
E um leve adeus pra minha insônia.
[Morena Luz**]

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mente Enlatada...




Suponho que nada exista de tão tentador
A despertar em teu seio, alguma garantia
Pois tudo o que tens lhe parece encantador.

E possuindo tanto, acaba sem o essencial
Dividindo a soberba que até hoje permitia
Tomar conta desse teu mundo superficial

Alagado onde nem os pés pousam seguros
Acreditando andar sobre as águas, refletia
Na doce ilusão que lhe tolhiam os apuros.

E perdido mesmo caminhando confiante
Pedindo dos louros da vida, alguma fatia
Enquanto seu olhar vazio reinava distante.

Entorpecia a mente para talvez ser forte
Quando sorrisos desmentiam a simpatia...
Disfarce fugaz que não dá mais suporte.

Percebendo que conservava a mão atada
Lutando enquanto seu interior desistia...
Foi então que abriu sua mente enlatada.

[Morena Luz**]


Nem tudo...


Nem tudo que se ouve é verdade...
Nem tudo que se fala é revelação
Nem tudo que se vê é a realidade
Nem tudo que se divide é fração
Nem tudo que se sonha é possível
Nem tudo que se veda é proibido
Nem tudo que se crê é visível
Nem tudo que se nega é pedido.
Nem tudo que se vende é preciso
Nem tudo que se sabe é necessário
Nem tudo que se quer é indeciso
Nem tudo que se faz é imaginário
Nem tudo que se poupa é usado
Nem tudo que se perdoa é dito
Nem tudo que se teme é ousado
Nem tudo que se odeia é maldito.
Nem tudo que se trama é novela
Nem tudo que se limpa é faxina
Nem tudo que se tampa é panela
Nem tudo que se perde é estima..
Nem tudo que se joga é garantido
Nem tudo que se pensa é saudade
Nem tudo que se prende é bandido
Nem tudo que se xinga é maldade
Nem tudo que se passa é deixado
Nem tudo que se bebe é cerveja
Nem tudo que se lê é “Machado”
Nem tudo que se oferece é bandeja.
Nem tudo que se pega é lotação
Nem tudo que se amassa é papel
Nem tudo que se rega é plantação
Nem tudo que se roda é carrosel.
Nem tudo que se idealiza é façanha
Nem tudo que se força é empurrão
Nem tudo que se come é lasanha
Nem tudo que se escreve é borrão
Nem tudo que se cobre é desnudo
Nem tudo que se apela é desespero
Nem tudo que se protege é escudo
Nem tudo que se salga é tempero
Nem tudo que se vive é perfeito
Nem tudo que se usurpa é crime
Nem tudo que se promete é feito
Mas tudo que se ama é sublime!
[Morena Luz**]

Nuances da Vida...




E quando o desfecho nem parece belo...
Podado pela vida que perdeu o anelo..
Ao redor, a solidão amedronta.

E finjo não importar-me com a nuance
Que afasta e extingüe qualquer chance
De seguir o que meu ser aponta.

Por trás dessa aparência e fina postura
Há chaga que nem com o tempo cura,
Estranha sela cuja dor monta.

E devaneio selvagem de uma corrida
Fuga pra lugar onde meu choro finda,
Refúgio onde a paz desponta.

Mesmo sem amparo dos que conhecia
E favos de fel servidos com voz macia
Agora já não me sinto tonta.

Apenas tenho sossego pra ficar calada
Grata pelo pouso, apenas ouço a piada...
Que o riso agora me conta.

[Morena Luz**]

O Casamento...


E pedindo paz mesmo que nefasta...
Onde do meu sonho, o amor se afasta
Tentando aumentar sua estima.

Enebriado pelo olhar que despedaça...
Dando goles no cálice da desgraça...
Esperando algo lá de cima.

E nem as bebidas por todos os bares
Cessam a busca em distintos lugares...
Pra fugir do que se aproxima.

E sangra escondendo a hemorragia...
Com trapos que são pura nostalgia...
De um tempo que o vitima.

E sobem pelas veias, impulso vampiro
Com um espasmo de último suspiro
Atraindo esperança como íma.

E tentando pôr um fim a seu tormento
Desfaz com a dor seu casamento...
E pra sorrir, até se anima.
[Morena Luz**]

Libertina Vontade...




Apenas balbucio algumas frases quaisquer
E me visto, como se fosse sair pra dançar...
Meu vestido florido começa a se balançar...
O vento que agita o varal, alguém me quer.

Saio sem esperar tanto do dia que convida...
E apenas rodopio por entre as ruas de gente
E enquanto os ares esvaziam minha mente...
Deixo-me encantar pela liberdade atrevida.

Pulo e sonho com tudo que pretendia ter...
Juntando cacos das medíocres desilusões
Oportunidades que tornaram-se confusões
Entre tudo aquilo que não consigo manter.

Isso me abala quase como uma fatalidade
Mas grito, e sacudo minhas mãos no alto
E como que na vida, impulsiono um salto...

Pra que talvez alcance minha felicidade.

[Morena Luz**]

Parada...


Distraída vendo os carros que passam
Em uma correria quase enlouquecedora
Onde nem sempre sai como a vencedora
A vida, onde às vezes nos ultrapassam

E de repente pára como se pedisse folga
Em uma calçada qualquer de seu destino
Talvez por um ataque, atitude de menino
Rebeldia calada que aos poucos impolga.

Enquanto espera que a mente sossegue
Delira como se ali fosse a última parada
E tentando sem êxito não pensar em nada
Despede-se do peso que talvez carregue.
[Morena Luz**]