quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mente Enlatada...




Suponho que nada exista de tão tentador
A despertar em teu seio, alguma garantia
Pois tudo o que tens lhe parece encantador.

E possuindo tanto, acaba sem o essencial
Dividindo a soberba que até hoje permitia
Tomar conta desse teu mundo superficial

Alagado onde nem os pés pousam seguros
Acreditando andar sobre as águas, refletia
Na doce ilusão que lhe tolhiam os apuros.

E perdido mesmo caminhando confiante
Pedindo dos louros da vida, alguma fatia
Enquanto seu olhar vazio reinava distante.

Entorpecia a mente para talvez ser forte
Quando sorrisos desmentiam a simpatia...
Disfarce fugaz que não dá mais suporte.

Percebendo que conservava a mão atada
Lutando enquanto seu interior desistia...
Foi então que abriu sua mente enlatada.

[Morena Luz**]


Nem tudo...


Nem tudo que se ouve é verdade...
Nem tudo que se fala é revelação
Nem tudo que se vê é a realidade
Nem tudo que se divide é fração
Nem tudo que se sonha é possível
Nem tudo que se veda é proibido
Nem tudo que se crê é visível
Nem tudo que se nega é pedido.
Nem tudo que se vende é preciso
Nem tudo que se sabe é necessário
Nem tudo que se quer é indeciso
Nem tudo que se faz é imaginário
Nem tudo que se poupa é usado
Nem tudo que se perdoa é dito
Nem tudo que se teme é ousado
Nem tudo que se odeia é maldito.
Nem tudo que se trama é novela
Nem tudo que se limpa é faxina
Nem tudo que se tampa é panela
Nem tudo que se perde é estima..
Nem tudo que se joga é garantido
Nem tudo que se pensa é saudade
Nem tudo que se prende é bandido
Nem tudo que se xinga é maldade
Nem tudo que se passa é deixado
Nem tudo que se bebe é cerveja
Nem tudo que se lê é “Machado”
Nem tudo que se oferece é bandeja.
Nem tudo que se pega é lotação
Nem tudo que se amassa é papel
Nem tudo que se rega é plantação
Nem tudo que se roda é carrosel.
Nem tudo que se idealiza é façanha
Nem tudo que se força é empurrão
Nem tudo que se come é lasanha
Nem tudo que se escreve é borrão
Nem tudo que se cobre é desnudo
Nem tudo que se apela é desespero
Nem tudo que se protege é escudo
Nem tudo que se salga é tempero
Nem tudo que se vive é perfeito
Nem tudo que se usurpa é crime
Nem tudo que se promete é feito
Mas tudo que se ama é sublime!
[Morena Luz**]

Nuances da Vida...




E quando o desfecho nem parece belo...
Podado pela vida que perdeu o anelo..
Ao redor, a solidão amedronta.

E finjo não importar-me com a nuance
Que afasta e extingüe qualquer chance
De seguir o que meu ser aponta.

Por trás dessa aparência e fina postura
Há chaga que nem com o tempo cura,
Estranha sela cuja dor monta.

E devaneio selvagem de uma corrida
Fuga pra lugar onde meu choro finda,
Refúgio onde a paz desponta.

Mesmo sem amparo dos que conhecia
E favos de fel servidos com voz macia
Agora já não me sinto tonta.

Apenas tenho sossego pra ficar calada
Grata pelo pouso, apenas ouço a piada...
Que o riso agora me conta.

[Morena Luz**]

O Casamento...


E pedindo paz mesmo que nefasta...
Onde do meu sonho, o amor se afasta
Tentando aumentar sua estima.

Enebriado pelo olhar que despedaça...
Dando goles no cálice da desgraça...
Esperando algo lá de cima.

E nem as bebidas por todos os bares
Cessam a busca em distintos lugares...
Pra fugir do que se aproxima.

E sangra escondendo a hemorragia...
Com trapos que são pura nostalgia...
De um tempo que o vitima.

E sobem pelas veias, impulso vampiro
Com um espasmo de último suspiro
Atraindo esperança como íma.

E tentando pôr um fim a seu tormento
Desfaz com a dor seu casamento...
E pra sorrir, até se anima.
[Morena Luz**]

Libertina Vontade...




Apenas balbucio algumas frases quaisquer
E me visto, como se fosse sair pra dançar...
Meu vestido florido começa a se balançar...
O vento que agita o varal, alguém me quer.

Saio sem esperar tanto do dia que convida...
E apenas rodopio por entre as ruas de gente
E enquanto os ares esvaziam minha mente...
Deixo-me encantar pela liberdade atrevida.

Pulo e sonho com tudo que pretendia ter...
Juntando cacos das medíocres desilusões
Oportunidades que tornaram-se confusões
Entre tudo aquilo que não consigo manter.

Isso me abala quase como uma fatalidade
Mas grito, e sacudo minhas mãos no alto
E como que na vida, impulsiono um salto...

Pra que talvez alcance minha felicidade.

[Morena Luz**]

Parada...


Distraída vendo os carros que passam
Em uma correria quase enlouquecedora
Onde nem sempre sai como a vencedora
A vida, onde às vezes nos ultrapassam

E de repente pára como se pedisse folga
Em uma calçada qualquer de seu destino
Talvez por um ataque, atitude de menino
Rebeldia calada que aos poucos impolga.

Enquanto espera que a mente sossegue
Delira como se ali fosse a última parada
E tentando sem êxito não pensar em nada
Despede-se do peso que talvez carregue.
[Morena Luz**]

Moldura...




E assim como um quadro que se pendura...
Arte de se admirar, que com a cor mistura
Sutis interpretações e de mais linda figura
Às vezes abstrata, em outras real e madura.

E riscos de uma magia em meu ser costura
Unidos a tantos desejos que a vida sutura...
Traçados por ódio e também por ternura...
Enquanto no peito alguma força perdura.

Dias que talham agonias de uma criatura
Em partes que distantes ganham ventura
Mas que ao olhar mais preciso, ruptura
E nem possuem toda aquela formosura.

Quebram-se vãs enquanto almejo a cura
Aos pedaços que caem da parede escura
Outrora eram elos em plena conjuntura....
Agora despencam no abismo da loucura.

Desafiando imagens, ao recriar sem usura...
A dor e a beleza de ter um amor que dura
Cada qual trazendo um brilho, uma textura
Na tentativa de exprimir do peito a tortura.

E fazendo com que encontrem uma doçura
Até mesmo no cinza da nebulosa sepultura
E dias sutis de um corpo onde jaz amargura
Fazem luzir outros fomentos à tola gravura.

Enfeitando mesmo quando delata a gordura
Sobre vestes caídas no busto cheio de alvura
Entre as madeixas da mulher de fina cintura
A debruçar enquanto imortalizava a pintura.

Soltas como que pedindo companhia e jura
De um olhar atento a captar de forma pura...
A mensagem oculta que desmente a fissura

Ao descobrir nos contornos, ínfima rasura.

[Morena Luz**]

Desenganos...


Enganei-me com seu torpe acalento...
Palavras doces que levou o vento...
E por sorte não causou neblina.

Enganei-me com sua maneira sutil
Misturado ao desafio de ser gentil...
Para negar o que lhe desatina.

Enganei-me com seu olhar terno
Pensando que talvez fosse eterno
E pudesse ser a sua menina.

Enganei-me com tanto interesse
Quando porventura eu devesse
Acabar com a minha sina.

Enganei-me com amores ditos
E em versos, deixei-lhe escritos
O que a meu peito domina.

Enganei-me com perdões vazios
E depois de tecer meus desvarios...
Alguma coisa a vida ensina.
[Morena Luz**]

O Beco...



Incrível desespero
Tempero
Pra uma saudade
Verdade!
Discussão pobre
Descobre
Segredos velados
Recados
Tolices agudas
Desnudas
Palavras travadas
Espadas
Cortes profundos
Imundos
Sujeiras da alma
Acalma
Carinhos doados
Safados
Mentiras retidas
Vidas
Amor Imperfeito
Respeito
Desejos ocultos
Vultos
Passado dormente
Sente
Tristeza calada
Fachada
Solidão completa
Afeta
Sonhos remotos
Fotos
Destinos cruzados
Dados
Coração seco
Beco.
[Morena Luz**]

Inúteis Fraquezas...


Um dia vê-se que nem tudo é tão lindo...
E sofrer já parece um ato corriqueiro
E do pra sempre vamos nos despedindo
Sabendo que no fundo, é passageiro...

Adeus na verdade quisera ser boa vinda
A receber com agrados uma esperança
Mas o que começa, em instantes finda
E daí desmorona o sonho e a bonança.

Platonismo ou qualquer estação parada
Onde insisti em alocar meu sentimento
E por ora, não consigo pensar em nada
Mas meu coração, está em movimento.

Deixando coisas em um passado recente
Onde eu mesma tenho medo de enxergar
Pois só quem sabe, é aquele que sente...
E não é fácil deixar outro amor chegar.

Mas tem um momento, depois dessa luta
Onde verificamos as alegrias e tristezas...
E desejando o balde que nosso pé chuta,
Esquecemos quase das inúteis fraquezas.
[Morena Luz**]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Deixa eu...



Deixe-me sair de casa e não só prometer...
Dar a louca, sem ninguém se intrometer
Cantar bem alto sem estar no banheiro.

Deixe-me comer um prato e repetir depois
Pensar em você, e no que enlaça nós dois...
Passar as noites com meu travesseiro.

Deixe-me ficar horas escolhendo a roupa
Beber um suco natural, e não a sua poupa
Balançar na rede, por um dia inteiro.

Deixe-me olhar pras estrelas sem motivo...
Buscar inspiração no seu coração furtivo...
E sonhar com um amor verdadeiro.

[Morena Luz**]

Bolhas de Sabão...


Retive por tanto tempo a sua face
Como se dentro de mim, guardasse
Um pouco de vontade, almejo.

Delicada, quase que sem resposta
Tentando expulsar o que se gosta...
Antes que se peça outro beijo.

Deixando pelo ar, livres e soltas...
Bolhas de sabão, que antes gotas
Ainda molhavam meu bocejo.

E tentando vê-las ainda inteiras
Deslizando o ambiente, faceiras
E sumindo como um lampejo.

E da saudade que a sua ida causa
No momento, onde apenas pausa
Um ínfimo e último desejo.
[Morena Luz**]

Menina...


E passa a menina vestida de mulher
Enquanto muitos pensam conhecê-la
Seguindo pra onde seu coração quer...
A escuridão com disfarce de estrela.

Apenas deseja ser diferente de tantas
Ser especial para alguém, nesse céu...
Amando mesmo quando desencantas
E sendo mais vítima, torna-se o réu.

Sonhando com um sentimento puro
Daqueles que aparecem só uma vez
E aos poucos, vê-lo tornar-se maduro
Enquanto troca as vestes da lucidez
.
[Morena Luz**]

Jardim de Esperanças...




Há recomeços que esperamos tanto,
Mas nunca parecem chegar até nós...
E desaparecem antes de nosso pranto
Quando entre paredes, estamos sós.

E imploramos em silêncio, algo novo
Que talvez dissipe aquilo que perdura
E enquanto penso parar, ainda movo...
Os pés em uma direção meio escura.

E ando, como se atrás ficasse um erro
Que nunca pude em mim, desvanecer...
E quanto mais sigo, precedo o enterro
De tantas mágoas que preciso esquecer.

Vou indo através de imagens ilusórias
Formadas pelo medo de sofrer perdida
Tirando marcas das tristes memórias
Onde nem vejo a minha própria vida.

E será que encontro solta pelas vielas
Flor que cativa a pureza que eu quero..
Única no jardim que guarda seqüelas...
Sozinha, enquanto a felicidade espero.


[Morena Luz**]

Hoje...



Hoje, preciso de uma coca-cola gelada.
De uma brisa que atravesse meu cabelo
Um sorriso que deixe a dor ruborizada
Um desconto, uma desculpa, um zelo.


Hoje preciso da sua mão aqui na minha
De uma conversa banal como passatempo
Valorizar o que tenho, deixar o que tinha
Pensar um pouco, esquecendo o tempo.

Hoje preciso andar descalça à beira-mar
E à noite admirar como a lua é linda
Preciso de menos motivos para amar...
E aceitar o que não conquistei ainda. ´

Hoje preciso de um abraço apertado
De um olhar misterioso mas sincero
De um beijo envolvente e apaixonado
Uma bebida, uma dança, um bolero.

Hoje preciso de um dia menos comum
De um bom livro na minha cabeceira
Mais sorvete, mais pizza, menos atum
E loucura pra lembrar a vida inteira.

Hoje preciso jogar algumas coisas fora,
Fazer um favor, encher minha despensa
Visitar uma amiga, aproveitar o agora...
Ser bondosa sem esperar recompensa.


Hoje preciso agradecer por estar viva
Reclamar menos do que não deu certo
Banho de chuva, dane-se a progressiva!!
E não só hoje, quero você bem perto.
[Morena Luz**]

A Chegada...


Enquanto as rodas deslocam-se loucas...
E as estradas tornam-se portas abertas...
Para um pensamento de razões poucas
Onde as emoções parecem descobertas.

Subindo e descendo em rotas, declives...
Passando pela espiral que o encaminha.
Nos altos e baixos onde tu sobrevives...
Perseguindo o que amava, o que tinha.

E correm descontroladas pela janela...
Como se fosse um filme que avança...
Folhas, casas, faixas e uma face bela
A que na mente, alguns passos dança.

E entre coisas tão comuns me aparece
Vulto intrometido que vem na bagagem
E quando penso que até já se esquece...
Recordo-me quando desfruto a viagem...

E recostada sobre uma cadeira macia
A despistar desconfortos abnominais
Memória traz sua mão que me acaricia
E tais incômodos já nem sinto mais.

Ao olhar para o lado com esperança
De repente deixo-me levar pelo sonho
Pois no lugar dessa mulher e criança
Desejá-lo,é bem melhor, suponho.

E torcendo para que termine a fuga
Até um destino que ainda é partida....
Teu sorriso, todo meu pranto enxuga,
E só importa ter chegado à sua vida.
[Morena Luz**]

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


A ilha...


Um facho de luz
Que a tudo seduz por aqui
Estrela cadente reluzentemente
Sem fim
E um cheiro de amor
Empestado no ar a me entorpecer
Quisera viesse do mar e não de você
Um raio que inunda de brilho
Uma noite perdida
Um estado de coisas tão puras
Que movem uma vida
E um verde profundo no olhar
A me endoidecer
Quisera estivesse no mar e não em você
Porque seu coração é uma ilha
A centenas de milhas daqui ...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Top Five: Filmes Fofos





1º) - Casamento do meu melhor amigo;
2º) - Ao entardecer;
3º) - História de Amor;
4º) - Beijo roubado;
5º) - 3 vezes Amor.

A Espera...


E enquanto soa o tilintar da espera
batidas do coração, marcam horas
E isso em momentos me desespera.

Fujo, enquanto devagar me arrasta
E porquanto, meu ser se esquive
Há uma certeza que há mim basta.


E as noites correm desenfreadas...
Nos desvarios em que acreditamos...
Quando palavras saem caladas...

E nossos olhares anseiam encontro
Refletidos pela distância infame...
Do nosso tão breve desencontro.

E há pouco contei-lhe um segredo...

Mas que exprime a vontade linda
Revelada, ainda que muito cedo.



...["às vezes pequenos impedimentos tornam-se grandes oportunidades.."]

[Morena Luz**]

¬¬

Apesar de...



E quando tudo já nem faz sentido
Perdido entre o que adormeceu...
Só teu olhar na mente é mantido...
Onde grande parte se esqueceu.

E mesmo com tanto que separa
Há algo lindo que nos aproxima...
E somente um monitor mascara
O que traz à vida, nova rima.
[Morena luz**]

domingo, 11 de janeiro de 2009

Passos ao acaso...




Às vezes andamos tão comedidos e presos
atados por algemas que desconhecemos
E por ora, nos sentimos apenas indefesos
Diante do desafio a que nos submetemos.

E caminhar parece uma impossível tarefa
Já que nossos passos não nos direcionam
E a vida por um momento, apenas blefa
Quando os sonhos quase nos enganam.

E arrastamos um peso por tantos dias...
Que acabamos nos acostumando a isso...
Esquecendo que em nossas vidas vazias
Tudo está tão longe de um compromisso.

E aquilo que é hoje, amanhã pode não ser
Assim como, talvez torne-se algo sublime
Mas nada tem a obrigação de acontecer...
E isso infelizmente não é nenhum crime.

Cabe a nós, aprender a caminhar diferente
Sabendo enxergar as muitas possibilidades...
E aí quem sabe, tudo o mais a nossa frente
Possa ser mais que um abismo de saudades...

[Morena Luz**]


"Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos...
Mas também tornemos todos esses desejos, realidade!!!"




Ventania...


E surge assim como brisa que arrepia
Entre as vestes que recuam moldando
Enquanto o próprio corpo evidencia...


E passa volvendo coisas no caminho..
Fazendo com que retornem descrentes
O que antes era junto, está sozinho.


E na dança em um ritmo esvoaçante...
Quase pode-se ouvir o ruído que acende
Mesmo com todo silêncio do instante.


Nas folhas que ruboriza e movimenta....
Nas velas de um barco no horizonte...
Nos cabelos da menina desatenta...


E percorre tão veloz que nem se vê
No seio da natureza que respira...
A soluçar o que se foi e o que prevê.


Trazendo boas novas, maus sinais
Efêmeras passagens sem destino...
Lembranças do que não volta mais.
[Morena Luz*]

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Meu Anjinho da Guarda: Razyel...

Ele tá com cara de mau...mas é vc, tá! rsrsrsrsrs*

Serenando


Sob a tenra luz que enebria o céu
Ao martírio da escuridão que vagueia
Cobre-me as estrelas como um véu
Que até a meu corpo traz candeia.

E acalenta nas cavernas da verdade
O que a tempestade da mentira fez
Trazendo reboliço e muito alarde...
Ao que por sorte se perderá de vez.

E no breve suspirar da despedida
Onde o brilho que aceso me cegava
Por de tanto iluminar, perdia vida
E ao invés de me doar, ela tirava.

Mais um copo que deixei na mesa
Empilhado nem vazio nem cheio...
Entre as sobras, pairando a tristeza
Meu coração encontra-se no meio!
[Morena Luz**]

Desatando Nós...


E quanto o choro persiste na face
Descorada por culpa da fraqueza
E desce rodopiando qual disfarce
Pra esconder a imagem de tristeza.

Mas de todo já partiu aquela dor...
Que há pouco desatava em meu ser
E com ela foi-se a névoa de pudor
Pois vergonha de amar é esquecer.

Então longe pouso meu sentimento
Onde a luz não pesa sua evidência...
E gradual, vai-se em tal momento...
Que nem vislumbra em mim, ausência.
[Morena Luz**]

Partes de Mim...



Sou a inconstância que se esconde na menina...
E por vezes não sei mesmo o que fazer...
Por ora prefiro o que minha mente determina...
Ao invés do que meu coração quer dizer...

Sou a vergonha e a coragem disfarçada...
Por trás desses olhos, pareço escondida...
E às vezes sinto-me sozinha na calçada...
Quando todos estão em suas avenidas...

Sou a ilusão e a desconfiança natural...
Um sonho que aos poucos desespera...
Aquela que vislumbra flores no quintal,
Mesmo quando esvai-se a primavera.

Sou a ignorância e a tolice ao acreditar...
Em pássaros que voam e céu cor de rosa
Talvez, escureça mas não queira mostrar...
A cor que aqui dentro se faz tão ditosa.

Sou o tudo e o nada de meus atos vãos
Entre tantos momentos de pura saudade,
Mas ainda creio que tenho nas mãos...
Numa linha qualquer, a da felicidade.
[Morena Luz**]

Peregrino...


E bate à porta como viajante sorrateiro
Um sentimento que me dói por inteiro
Desespero, angústia e impotência...

Algo que invade assim como forasteiro
De longe advindo com o passo ligeiro
Tortura, vergonha e impaciência...

E fica como se pousasse tão certeiro
Sem lembrar-se do próprio paradeiro
Cansaço, derrota e desistência...
[Morena Luz**]

Irei eu?



E pra onde fores, ó criatura desalmada
Será que irei eu?...

Posto que arremessaste meu coração
E deste ás feras que ávidas passeiam...
E de um lado a outro, pedem comoção
Carne dê a elas, as feras esperneiam...

E pra onde fores, ò criatura desalmada...
Será que irei eu?...

Já que com usura cobraste tanto dolo
Desse pedaço de sentimento talhado...
E nem sua desculpa serve de consolo...
Pra um ser que cansou de ter amado...

E pra onde fores, ó criatura desalmada...
Será que irei eu?...

Se em meu travesseiro derramo divas
Gotas que um dia foram só felicidade...
E em meu seio, nem mantenho vivas...
O que alimentava minha curiosidade.

E pra onde fores, ó criatura desalmada...
Será que irei eu?...

Pois que nas palavras, passou o vento...
Levando consigo, estúpidas promessas...
Então descobri que meu único intento
Converteu-se em tolices que arremessas...


Arremessas às feras, o meu coração!

E pra onde fores, ó criatura desalmada...
Não irei eu...
Não mais!
[Morena Luz**]