quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Moldura...




E assim como um quadro que se pendura...
Arte de se admirar, que com a cor mistura
Sutis interpretações e de mais linda figura
Às vezes abstrata, em outras real e madura.

E riscos de uma magia em meu ser costura
Unidos a tantos desejos que a vida sutura...
Traçados por ódio e também por ternura...
Enquanto no peito alguma força perdura.

Dias que talham agonias de uma criatura
Em partes que distantes ganham ventura
Mas que ao olhar mais preciso, ruptura
E nem possuem toda aquela formosura.

Quebram-se vãs enquanto almejo a cura
Aos pedaços que caem da parede escura
Outrora eram elos em plena conjuntura....
Agora despencam no abismo da loucura.

Desafiando imagens, ao recriar sem usura...
A dor e a beleza de ter um amor que dura
Cada qual trazendo um brilho, uma textura
Na tentativa de exprimir do peito a tortura.

E fazendo com que encontrem uma doçura
Até mesmo no cinza da nebulosa sepultura
E dias sutis de um corpo onde jaz amargura
Fazem luzir outros fomentos à tola gravura.

Enfeitando mesmo quando delata a gordura
Sobre vestes caídas no busto cheio de alvura
Entre as madeixas da mulher de fina cintura
A debruçar enquanto imortalizava a pintura.

Soltas como que pedindo companhia e jura
De um olhar atento a captar de forma pura...
A mensagem oculta que desmente a fissura

Ao descobrir nos contornos, ínfima rasura.

[Morena Luz**]

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